INCLUSÃO 2

Todos os seres humanos têm características comuns, mas são todos diferentes entre si. Contudo, existem alguns que são mais diferentes. 
Antigamente, a maioria das pessoas que tinha comportamentos desajustados da "normalidade" e os deficientes, particularmente os deficientes mentais, era mantida à margem da sociedade. 
Hoje, isso já não acontece, cada vez mais se fala e se legisla para a sua inclusão, mas esta levanta problemas e diversas dúvidas relativamente às formas de atuação, para além de que ainda subsistem preconceitos, medos ou dificuldades na aceitação das pessoas com características especiais.
Nos últimos anos, a escola tem enfrentado várias transformações, dilemas  e desafios, desde os relacionados com o elevado número e heterogeneidade dos alunos, passando pelos do comportamento dos alunos, da violência, insucesso e abandono escolar, até aos relativos à inclusão gradual dos portadores de qualquer tipo de deficiência, seja ela física ou mental.
Para além de que, nos últimos anos, o número de alunos identificados como hiperativos ou portadores do Sindrome de Asperger, parece ter-se multiplicado.
Os professores vêem-se, assim, confrontados com uma série de dificuldades e problemas, para os quais, muitas vezes, não se encontram preparados e/ou que dificultam extraordinariamente a sua principal missão.
A pessoa portadora de qualquer tipo de transtorno, síndrome ou deficiência tem o direito e deve ser integrada na sociedade.
Contudo, esta integração ou inclusão levanta, particularmente ao nível da Escola, diversas questões e/ou problemas:
  1. Até que ponto é possível, verdadeiramente, integrar na escola regular um deficiente mental? Que níveis de aprendizagem vai ter? Quão perturbador será para os outros alunos? Mesmo com a colaboração de um professor do ensino especial, estão os professores preparados para atuar de forma eficaz e adequada, quer com o deficiente, quer para a sua efetiva integração nas turmas, quer ainda na manutenção dos objetivos dos projetos de turma?
  2. Até que ponto a integração de um deficiente mental, na escola regular, é benéfica para o próprio?
  3. Se o que pretendemos fazer é inclusão, o facto da avaliação destes alunos ser, necessariamente, feita com outros critérios, não fará dessa inclusão uma mera ilusão?
  4. Os deficientes mentais têm capacidade de aprendizagem, em função das suas características próprias e do tipo de deficiência de que são portadores. Contudo, para que se atinjam os objetivos dessa  aprendizagem, é necessária uma atenção diferenciada e o estabelecimento de rotinas próprias. Estará escola regular preparada para receber adequadamente estes alunos?
  5.  Alunos cegos, surdos ou com mobilidade reduzida 
  • Os alunos cegos ou surdos necessitam realizar diversas aprendizagens, não previstas nos currículos escolares, para que lhes seja possível estudar e/ou comunicar. 
  • Os alunos com mobilidade reduzida necessitam de equipamento ou acompanhamento especial.
  • Estão as escolas preparadas para, efetivamente, receber de forma adequada estes alunos?    
  1. Alunos com Deficit de Atenção ou Síndrome de Asperger. Até que ponto se encontram as escolas e os professores preparados para  atuar com estes alunos?
  2. Até que ponto, os problemas de comportamento destes alunos têm a ver com as suas características próprias,  os transtornos ou síndromes de que são portadores, ou a educação familiar?
  3. O número de crianças indicada ou diagnosticada como hiperativa é enorme. Será que todos eles sofrem efetivamente de Deficit de Atenção ou, pelo contrário, muitos são apenas indisciplinados?
 Algumas perturbações, síndromes,  deficiências, transtornos


TDAH - DDA
Nos portadores de Transtorno de Défict de Atenção / Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio de Défict de Atenção (DDA) os neuro-transmissores, dopamina e noradrenalina (substâncias químicas do cérebro que transmitem informações entre as células nervosas) encontram-se diminuídos, fazendo com que a atividade do córtex pré-frontal seja menor. É uma disfunção neurobiológica.
Tipos
TDAH (DDA) tipo desatento
TDAH (DDA) tipo hiperativo/impulsivo
TDAH (DDA) tipo combinado


Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é uma perturbação neurocomportamental de base genética, pode ser definida como uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interacção social na comunicação e no comportamento. Embora seja uma disfunção com origem num funcionamento cerebral particular, não existe marcador biológico, pelo que o diagnóstico se baseia num conjunto de critérios comportamentais.

Entre as características mais comuns podemos destacar:
  • Défice de comportamento social;
  • Interesses limitados;
  • Comportamentos rotineiros;
  • Peculiaridade do discurso e da linguagem;
  • Perturbação na comunicação não verbal;
  • Descoordenação motora.

AUTISMO

"É hoje geralmente aceite que as perturbações incluídas no espectro do autismo, Perturbações Globais do Desenvolvimento nos sistemas de classificação correntes internacionais, são perturbações neuropsiquiátricas que apresentam uma grande variedade de expressões clínicas e resultam de disfunções do desenvolvimento do sistema nervoso central multifactoriais " (Descrição do Autismo, Autism-Europe, 2000).

O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade. O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade. Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente, pode ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono. Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.
A Tríade de Perturbações no autismo
As pessoas com autismo têm três grandes grupos de perturbações. Segundo Lorna Wing (Wing & Gould,1979), a partir de uma investigação feita em Camberwell, a tríade de perturbações no autismo manifesta-se em três domínios: social, linguagem e comunicação, pensamento e comportamento.
Domínio social: o desenvolvimento social é perturbado, diferente dos padrões habituais, especialmente o desenvolvimento interpessoal. A criança com autismo pode isolar-se mas pode também interagir de forma estranha, fora dos padrões habituais.
Domínio da linguagem e comunicação: a comunicação, tanto verbal como não verbal é deficiente e desviada doa padrões habituais. A linguagem pode ter desvios semânticos e pragmáticos. Muitas pessoas com autismo (estima-se que cerca de 50%) não desenvolvem linguagem durante toda a vida.
Domínio do pensamento e do comportamento: rigidez do pensamento e do comportamento, fraca imaginação social. Comportamentos ritualistas e obsessivos, dependência em rotinas, atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.
O diagnóstico do autismo é hoje efectuado a partir das características definidas no DSMIV- TR

Síndrome de Down?
 A síndrome de Down (SD) é uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, por isso também conhecida como trissomia 21.
Embora as alterações cromossômicas da SD sejam comuns a todas as pessoas, nem todas apresentam as mesmas características, nem os mesmos traços físicos, tampouco as malformações. A única característica comum a todas as pessoas é o déficit intelectual. Não existem graus de SD; a variação das características e personalidades entre uma pessoa e outra é a mesma que existe entre as pessoas que não tem SD.


Ser diferente é, apenas, ser diferente.







Saber mais:  
Carta dos Direitos do Cidadão Deficiente Mental
 Federação Portuguesa das Associações de Surdos
 ACAPO

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