Educação e Trabalho

Hoje, dois artigos, publicados na internet, despertaram a minha particular atenção "A World Without Work", By Ross Douthat e "A Educação que Precisamos para o Mundo que Queremos", publicado pela Associação o Direito de Aprender. 
Um deles foca-se no sistema  económico e no trabalho, analisando  as alterações provocadas pela transição da era industrial, para a era pós-industrial, particularmente no que se refere às suas implicações no Mercado de Trabalho.
O outro analisa os objetivos da Educação para o pós 2015, particularmente no que se refere à Educação de Adultos.
Por que relaciono dois artigos que abordam temas diferentes? Porque, obviamente, eles refletem  sobre uma mesma realidade.
Somente a Educação nos permitiu atingir um tão elevado grau ao nível do conhecimento cientifico e do desenvolvimento tecnológico. Mas, por outro lado, esse desenvolvimento tecnológico originou a crise do trabalho, ou seja, o decréscimo acentuado de postos de trabalho, a cada vez menor necessidade de intervenção humana na produção, desenvolvimento e manutenção de bens e serviços.
Os operários e os trabalhadores não qualificados foram os primeiros a ressentir-se destas transformações, os quais, na sua grande maioria, detinham, e detém, baixos níveis de Educação e Formação. 
Contudo, a passos, cada vez mais, galopantes, a diminuição e precariedade dos postos de trabalho, iniciou a sua escalada social, ameaçando destruir a classe média, os trabalhadores especializados e os dos serviços, os quais detêm habilitações ao nível do secundário, ou mesmo superiores. E, esta escalada parece interminável.
Apostou-se na Educação e na Formação e na Aprendizagem ao Longo da Vida, tentando qualificar profissionais e minimizar os efeitos da crise do mercado de trabalho. 
As habilitações académicas, a formação, a polivalência e a capacidade de transferir competências passaram a ser uma exigência, para ser possível candidatar-se ou manter o posto de trabalho.
No entanto, todas as diretrizes e medidas tomadas neste sentido, não parecem ter sido eficazes no sentido de travar, ou inverter, a crise do Mercado de Trabalho.
A crise económica e financeira, a crise do mercado de trabalho, a crise da Educação, são várias crises, ou apenas uma crise nas suas multiplas facetas?  
No seu artigo, Ross Douthat parece admitir a possibilidade de existência de um mundo sem trabalho, ou de postos de trabalho com um número de horas bastante reduzido, aos quais só teriam acesso, também, um número reduzido de pessoas.
Nesse caso, poderemos colocar a questão, para que nos irá servir, então, a Educação?
Desde há muito que a Educação tem um ligação direta e indissociável com o trabalho. Se essa relação se perder, qual será, nesse caso, o objetivo da Educação?
Se trabalhar deixar de ser um direito e uma necessidade, como nos sustentaremos? Em que tipo de sistema económico iremos viver?
Um excerto, de um dos mais assertivos e pertinentes comentários ao artigo de Ross Douthat, parece-me reduzir o problema ao essencial "A society that doesn't need workers requires an entirely new economic system - one for which there is no model in existence."
Se é certo que os países e continentes não andam todos à mesma velocidade, encontrando-se, portanto, em níveis diferentes de desenvolvimento, também é certo que vivemos na era da globalização, pelo que as crises, fragilidades ou desenvolvimento de uns, interferem e condicionam os outros.
Países há que ainda não passaram pela era industrial, ou fizeram-no de forma incipiente, mas não me parece possível que o venham a fazer, porque, sofrendo as consequências desse atraso, serão, inevitavelmente, arrastados pelos mais ricos e poderosos, os quais já se encontram na era pós-industrial.  
De alguma forma, a análise da conjugação destes dois artigos vai ao encontro das questões levantadas na minha publicação, neste blog, na página Circundantes, "Sair da Caverna". 
Claramente, à semelhança dos nossos ancestrais hominídeos,  precisamos encontrar os meios para sair da Caverna. Precisamos inventar um novo sistema económico, social, educativo,...
As respostas que procuramos estão, ainda, envoltas num denso nevoeiro. 
À semelhança dos homens da Caverna, de Platão, a humanidade encontra-se acorrentada na obscuridade e, da realidade, apenas avista as sombras que se refletem nas paredes da Caverna.

Comentários

  1. Um excelente artigo, Teresa. Com certeza, hoje em dia as pessoas educam-se focando conseguirem uma boa colocação no mercado de trabalho (embora eu pense que a educação devesse ser considerada muito mais do que apenas isso, pois conheço advogados e doutores que não tem qualquer cultura).Sair da caverna é outra coisa... acho que ainda vamos viver em uma durante muito tempo. Abraços.

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