EM TEMPO DE ELEIÇÕES

Passados que foram quatro dos anos mais difíceis de que grande parte dos portugueses tem memória, não
só porque muitos deles são demasiado jovens para se lembrarem, como porque a memória dos homens é curta, voltamos a estar em ano de eleições legislativas e de avezinhamento das Presidenciais, num futuro bem próximo.
Não obstante as muitas circunstâncias e acontecimentos negativos que o envolveram e a que deu origem, o 25 de Abril de 1974 devolveu-nos um direito fundamental do ser humano, a liberdade.
Desde essa altura, todos os portugueses maiores, independentemente do género, raça ou credo, podem exercer o seu direito de voto, escolhendo assim os homens e mulheres que governarão o país nos anos seguintes. 
Infelizmente, muitos desses portugueses, agora livres, não exercem esse seu direito fundamental e esse dever cívico, menosprezando, assim, o esforço, a luta e sofrimento daqueles que lutaram afincadamente para que ganhássemos o direito à liberdade, abdicando, desta forma, dos seus direitos e demitindo-se das suas responsabilidades.
As justificações mais comuns, para essa não participação na escolha dos governantes, são, quase invariavelmente, as seguintes:  "Já não acredito em ninguém; São todos iguais; Mudam as moscas, mas a m.. é a mesma; Não percebo nada de política ou  Quero lá saber."
Por mais que seja uma forte adepta do permanente combate à corrupção e da constante observação, análise crítica e vigilância das escolhas dos políticos eleitos, parece-me sempre estranho que as pessoas esperem que aqueles que se candidatam a governantes sejam melhores pessoas, ou tenham comportamentos e atitudes distintas dos restantes mortais e que por essas razões se eximam de votar.
Ser um político ativo não é garantia de honestidade ou de corrupção. Ser um político é uma opção de vida semelhante à escolha da profissão. Logo, tal como em qualquer profissão, existirão sempre  os péssimos, os maus, os sofríveis, os médios, os bons e os excelentes. Se bem que estes últimos  tendam a rarear, quer nas profissões, quer na política. Pelo que, caso nós próprios não tenhamos uma vida politicamente muito ativa, temos, pelo menos, a obrigação de zelar pelo destino do país, através do voto e da vigilância da atuação daqueles que são eleitos.

Sempre que se avizinham eleições, abre a época da caça ao voto.
Muitos de nós já há muito fizemos as nossas escolhas partidárias e pouco ou nada somos afetados pelas promessas eleitoralistas. No entanto, será sempre bom fazer uma reflexão e análise objetiva acerca dos motivos pelos quais escolhemos um partido e não outro, para que nos seja possível concluir se estes são, efetivamente, os motivos certos, ou se apenas votamos naquele partido por uma questão de clubismo, preconceito ou fanatismo.


Aqueles que não se revêem de uma forma absoluta ou evidente em nenhum dos partidos, vão ser, na prática, os eleitores de quem depende o resultado das eleições, pois alterarão o sentido do seu voto em função de uma análise, mais objetiva ou mais subjetiva, do momento presente e do passado próximo e, também, das caraterísticas, qualidade e promessas da campanha eleitoral.

Neste momento crucial, para Portugal e para todos nós, em que lentamente começamos a recuperar de uma crise violenta, que nos obrigou a adaptar a novas circunstâncias, a criar novos hábitos, a prescindir de diversas regalias, ou mesmo nos empurrou a nós, ou aos nossos, para o desemprego, para o estrangeiro, ou, pior ainda, nos levou as nossas casas, ou outros bens materiais, penso que seria importante refletir seriamente, para que não venhamos a tomar decisões pouco racionais e objetivas, movidas, apenas, pela emoção, pelo preconceito, ou por promessas irrealistas e impraticáveis.

Estes são alguns pontos que considero de suma importância para que se tomem decisões conscientes e responsáveis:


  1. Procure afastar de si as emoções e não deixe  que as circunstâncias do seu caso específico o façam perder a perspetiva realista da situação global;
  2. Analise, com a maior objetividade que lhe for possível, o momento atual e a história, dos últimos 40, 20, ou 10 anos, que nos trouxe até aqui;
  3. Procure informar-se, não tanto através das peças jornalistícas, por vezes, muito tendenciosas ou alarmistas, mas, sim, pelos dados concretos que são disponibilizados para consulta a todos os cidadãos;
  4. Medite seriamente sobre os comportamentos habituais e recorrentes dos diferentes partidos, sobre as consequências dos seus atos passados e sobre as promessas eleitorais que agora fazem;
  5. Não olhe para Portugal como se fosse uma ilha isolada do resto do mundo, mas, antes, analise-o inserido nessa Grande Aldeia em que se tornou o Mundo;
  6. Não se prenda no ordenado que gostaria de ganhar, na casa que ambicionava ter, ou nas viagens que sonhava poder fazer. Medite antes sobre qual o preço que está disposto a pagar para hipoteticamente alcançar esses objetivos;
  7. Falando de direitos. A Educação é um direito. A Saúde é um direito. O Emprego é um direito. A Habitação é um direito. Mas, da mesma forma que a sua carteira não tem capacidade para comprar tudo aquilo que gostaria. A carteira do Estado também não tem capacidade para "comprar" ou facultar todos esses direitos da forma como todos gostaríamos. 
Assim, talvez seja altura de descermos à terra e ouvir, verdadeiramente, o que dizem e prometem os políticos, tentando perceber que condições ou bases terão para poderem cumprir aquilo que apregoam e prometem.
Como em tudo na vida, o equilíbrio e o bom senso serão os melhores conselheiros para a tomada da decisão.
Na certeza, porém, de que da escolha que cada um de nós fizer dependerá o futuro de todos.






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