TRANSPOR A PONTE ENTRE A RAZÃO E A PAIXÃO - AVENTURA OU REALIZAÇÃO?



" Os homens alcançam sucesso quando percebem que os seus fracassos são uma preparação para as suas vitórias."                                                                              Ralph Waldo Emerson

Nas sociedades ocidentais contemporâneas, salvo raras exceções, é fundamental que homens e mulheres  exerçam uma atividade profissional, não só por uma questão de sobrevivência mas, também, para a sua realização pessoal.
Conseguir exercer um trabalho estimulante e gratificante, que se coadune com as habilitações académicas, competências e apetências de cada um e que tenha um retorno financeiro adequado, é um objetivo comum à grande maioria das pessoas. 
Os obstáculos que podem dificultar ou mesmo impedir a concretização desse objetivo podem ser muitos e de natureza diversa, sendo que alguns deles têm origem nos próprios, por escolhas erradas, limitações autoimpostas ou falta de confiança.
Numa conversa recente, algo emotiva, discutíamos a importância das crenças pessoais como fator limitador e impeditivo de alcançar a realização profissional, quando, como forma de contrapor os meus argumentos, me colocaram a seguinte questão: 
- Mas, afinal, quer ter razão ou quer alcançar os seus objetivos?
Naquele momento, não me ocorreu uma resposta eloquente e assertiva, pelo que passámos a uma nova fase do diálogo. Mas, aquela pergunta, com todas as suas implicações de ordem ética, prática, lógica e realista, desde então, não tem parado de remoer o meu espírito, obrigando-me a fazer uma reflexão profunda acerca das "culpas" que podemos atribuir a nós próprios por não conseguirmos atingir os nossos objetivos. 
Considero que, através do seu simbolismo, as imagens mentais ou a transposição de determinadas ideias ou pensamentos para a análise de situações que podemos visualizar ou materializar, nos podem ajudar a fazer uma reflexão mais prática e objetiva do problema ou situação em análise
Assim, imaginando que o processo de tentar alcançar um objetivo é semelhante ao atravessar de uma ponte, temos que, num primeiro momento, encontramo-nos, por qualquer razão, de um dos lados da ponte e, a dada altura, nasce em nós o sonho, o desejo, a curiosidade, a vontade ou a necessidade  de atravessar para o outro lado.
Acontece que não sabemos exatamente o que se encontra do outro lado da ponte, nem que perigos ou dificuldades poderemos encontrar no caminho.
Estas dúvidas ou medos podem impedir-nos de dar o primeiro passo para iniciar a travessia e aquela que inicialmente encarávamos como uma simples ponte pode transformar-se em algo extremamente aterrador.




Outras vezes, detemo-nos, olhando a ponte, e desistimos de a atravessar, convencendo-nos de que é uma perda de tempo, pois do outro lado não existe nada de novo,  é apenas uma réplica daquilo que temos deste lado.


Também existem as pontes que nos parecem demasiado distantes e inacessíveis.


 

Outras, fantasmagóricas, parecem esconder mistérios sombrios que não nos sentimos capazes de enfrentar.




Temos, também, as pontes que tememos por que nos levam para lugares distantes e nos afastam daquilo a que sempre estivemos habituados, conhecemos ou amamos.




Existem igualmente as duplas pontes que, tal como as encruzilhadas, nos deixam indecisos sobre qual será o melhor caminho a tomar.


Por último, existem pontes que nos prendem por se encontrarem em lugares belos, pois qualquer movimento que nos afaste deles, nos fará sair da nossa zona de conforto.


O que é preciso, então, para que atravessemos a ponte que nos levará ao encontro do nosso objetivo? 
É preciso motivação, coragem e determinação. O apoio de familiares ou amigos também poderá ser um bom aliado.
Mas, antes de darmos o primeiro passo em direção à ponte é importante que nos perguntemos:
- É verdadeiramente isto que eu quero?
- Quais são os verdadeiros motivos porque pretendo alcançar esse objetivo?
- Do que é que estou disposta a prescindir?
- Que tipo de coisas tenho de fazer para alcançar esse objetivo? Alguma delas, ou várias, vão contra os meus princípios e valores?
E, desses princípios e valores, quais deles o são de facto, ou, pelo contrário não passam de preconceitos ou crenças sem fundamento?

Por mais conhecimentos e saberes que tenhamos, eles de pouco nos servem se não os transformarmos em ações e decisões.
Se temos um sonho, ou objetivo, precisamos passar à ação, mas, para tal, é necessário que nos encontremos motivados.
Somente a motivação nos permitirá focar-nos no nosso objetivo e, assim, realizar todos os procedimentos necessários para que seja possível alcançá-lo.
Necessariamente, para fazer uma alteração na nossa forma de estar na vida, na profissão que exercemos, ou mesmo recomeçar do zero, temos que ter consciência de quais são as nossas capacidades e limitações e das caraterísticas do meio em que nos encontramos ou em que nos pretendemos vir a integrar.
Da mesma forma, devemos estar cientes de que para iniciar este processo temos, primeiramente, que sair da nossa zona de conforto e prepararmo-nos para enfrentar riscos, falhas ou mesmo um completo fracasso.
A sua razão vai aconselhá-lo a não arriscar, a não sair da sua zona de conforto. Mas a sua paixão vão incitá-lo a atravessar a ponte.
Qual vai ser a sua escolha?
Você acha que apostar na sua paixão não passa de uma aventura arriscada? Ou, pelo contrário, pensa que arriscar tudo para seguir a sua paixão é a única forma de conseguir sentir-se realizado?


Todos os homens que marcam  a história, enfrentaram diversos fracassos, contrariedades, incompreensões, rejeição da sociedade ou mesmo perseguições.
Muitos deles foram considerados sonhadores, loucos ou parasitas.
Mas, todos eles têm um denominador comum. Acreditaram nos seus sonhos, lutaram pelos seus objetivos e mesmo que fracassassem, recomeçavam de novo, sem nunca desistir.


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