EFEITO BORBOLETA



Efeito Borboleta - o bater de asas de uma simples borboleta poderá influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.


Teoria do Caos "comportamento sem lei inteiramente governado pela lei” (STEWART, 1991).

O gato da Maria Augusta saltou da janela do 5º andar, com uma dessas motivações suicidas que só mesmo os gatos compreendem. O Joaquim, que estava, nesse momento, a manobrar a plataforma elevatória para limpeza do prédio, assustou-se com o gato em queda livre, que lhe passou a poucos centímetros, e desviou a plataforma com brusquidão, indo esta embater num cabo elétrico, o que provou um forte curto-circuito, o qual deu origem a uma sobrecarga elétrica.
Por alguns momentos, deu-se um corte de energia naquela zona. Razão pela qual o despertador do João não tocou, às 07:30 da manhã, como era habitual.
João acordou, subitamente, com a estranha sensação de que algo não estava bem. Olhou para o relógio e saltou da cama como se tivesse sido atingido por um raio. O seu corpo, ainda atordoado do sono,  não se encontrava preparado para uma atividade tão brusca, pelo que João torceu um pé e, desequilibrando-se, acertou em cheio com a canela na gaveta da cómoda que, na noite anterior, deixara meio aberta.
Gemendo de dor e a coxear, dirigiu-se até à casa de banho, tão depressa quanto lhe foi possível. Em seguida, foi acordar o filho que, meio estremunhado,  choramingou por ir chegar atrasado à escola. Era dia de teste. De certeza que assim iria ter uma negativa.
Tentando controlar-se, João entrou no carro a praguejar contra tudo e todos, mas principalmente contra a vizinha do 11º Dtº, que estacionava sempre ocupando dois lugares, dificultando a vida a toda a gente. 
O trânsito estava caótico. Finalmente, após vários abrandamentos e paragens, lá conseguiu deixar o filho na escola, que se afastou cabisbaixo, recriminando-o, sem o olhar uma única vez.
De novo embrenhado no trânsito, João olhava continuamente para o relógio. Este parecia ter ensandecido e os minutos passavam de forma alucinante.
Como se iria justificar por chegar atrasado àquela reunião com o novo cliente? Este era essencial para o crescimento da empresa, se não mesmo para a sua manutenção. Conjeturava ele, tamborilando nervosamente com os dedos no volante, enquanto aguardava que o semáforo mudasse de cor.
Por fim, chegou. Correu, desvairado, para a porta da Empresa, faltava um minuto para a hora marcada. Pegou na pasta que estava em cima da sua secretária, esta escapou-se-lhe da mão e todo o seu conteúdo se espalhou pelo chão. 
João lançou um grito exasperado e Manuela, a secretária, acorreu ao seu gabinete, com um ar assustado. Depois, solicita, ajudou-o a apanhar e ordenar toda a papelada.
Foi nessa altura que os seus olhos caíram sobre um dos parágrafos do relatório técnico. O erro crasso e inadmissível ressaltava à vista. João sentou-se, suspirando de impotência. Ia ser necessário refazer tudo. Aquele erro enviesava todo o relatório, bem como as suas propostas e conclusões.
O Cliente estava atrasado, pelo que João mandou chamar António, o engenheiro   responsável pela condução daquele projeto. A troca de palavras foi, inevitavelmente, agressiva e António acabou por ser convidado a demitir-se.
João estava cada vez mais preocupado.  Enquanto reunia toda a equipa para tentar refazer, em minutos, um projeto de meses, cogitava com os seus  botões sobre  o que estaria a atrasar Harry, o cliente, que já se encontrava uma hora atrasado e não tinha, até ao momento, tentado contactá-los.
De facto, o que impediu Harry de chegar a horas à reunião foi um acidente de viação. Após o corte de energia, os semáforos tinham enlouquecido, naquela zona da cidade, e o carro de Harry avançou exatamente na mesma altura em que um grande pesado entrou no cruzamento. O embate foi inevitável. Harry foi transportado para o hospital de ambulância e  deu imediatamente entrada no Bloco Operatório.
Felizmente as lesões de Harry não foram muito graves, mas o mesmo não se poderá dizer das consequências da sua inatividade forçada.
Para além da empresa de João ter entrado num período de grandes dificuldades, a ausência  de Harry numa importante Conferência, nos Estados Unidos, originou a queda abrupta das ações da sua própria empresa.
Robert levantara-se naquela manhã com o firme propósito de vender as ações que detinha na empresa de Harry. Tinha sido uma decisão muito pensada, mas acabara por chegar à conclusão de que a venda das ações, que se encontravam bem cotadas, lhe permitiria sair da sua periclitante situação financeira.
A notícia de que a Bolsa abrira em baixa e que as ações da empresa de Harry tinham sofrido uma queda vertiginosa,  apanhou Robert completamente desprevenido. Sentindo-se como se o mundo lhe     tivesse desabado em cima, saiu de casa e entrou  no automóvel, iniciando uma viagem sem destino certo.  
Foi quase com espanto que se deu conta  de que se encontrava num dos locais que costuma frequentar na sua juventude. Dali, do alto da encosta, avistava-se toda a  cidade. Era um local belo e solitário, escolhido pelos namorados para se afastarem do mundo.
Robert saiu do carro, avançou até ao início da íngreme ravina. Depois, fechou os olhos e deixou-se ir na grande viagem do esquecimento.
Em consequência do suicídio do marido, Helen viu-se a braços com uma terrível situação financeira e três filhos para sustentar. As suas alternativas não eram muitas, pois deixara de trabalhar logo que se casara. Vendeu a casa, mas, mesmo assim não conseguiu pagar totalmente a hipoteca. Era preciso fazer-se à vida. Sem grandes alternativas, recorreu à mais velha profissão do mundo.
Richard, o filho mais velho, não aceitou bem a sua nova vida de pobreza e dificuldades. A revolta contra o pai foi crescendo à medida que os anos passavam. O modo de vida da mãe envergonhava-o e enraivecia-o. Transformou-se num jovem agressivo, revoltado contra todos. Juntou-se ao gang do seu bairro, mas, insatisfeito, procurou formas alternativas de se vingar dos pais, da sociedade e do próprio país.
O seu trabalho na Marinha dava-lhe acesso a diversas informações secretas, as quais passou, a troco de bom dinheiro, para os grandes inimigos do seu país. Contribuindo, assim, de forma direta para que estes tivessem realizado o maior e mais grave ataque terrorista aos EUA.
A empresa de João acabou por se conseguir reequilibrar e o filho não teve má nota no teste e atuelmente trabalha com o pai, chefiando uma equipa de engenheiros.
Harry voltou aos EUA e viu-se obrigado a encerrar a sua empresa. Tendo criado mais tarde uma outra mais pequena, mas também mais sólida.
A vida de todas estas pessoas não teria sido a mesma se o gato suicida, da Maria Augusta, não se tivesse atirado da janela. O qual, afinal, caíra de pé e veio a morrer já numa idade avançada.

Esta pequena história pretende ilustrar a Teoria do Caos e o incontornável Efeito Borboleta, ou, dito de outra maneira, a forma como um acontecimento insignificante, muitas vezes incontrolável, pode afetar a vida de tantas pessoas, ou mesmo a própria Terra, o sistema solar, a galáxia e todo o Universo. Quantos mais fatores, ou sujeitos, e variáveis considerarmos, maior dimensão atingirão as consequências desse acontecimento insignificante.
De facto, não vivemos num sistema fechado e se olharmos para esta teoria e este efeito não de uma forma tão científica, mas numa dimensão mais "caseira", passaremos a ter uma perspetiva mais realista e responsabilizadora, talvez, mesmo, assustadora, das consequências das nossas ações e da forma como estas podem alterar a nossa vida, a de todos os que nos rodeiam e até a daqueles que nunca conheceremos, podendo estes viver a centenas ou milhares de quilómetros. 


A água é um bem essencial à vida do homem e do Planeta. As florestas são fundamentais para existência da vida. O, maior ou menor, equilíbrio psíquico e emocional dos homens condiciona as suas ações e consequentemente a forma como são preservados estes dois bens essenciais à sua vida. Da mesma forma que condiciona as suas vidas familiares, sociais e profissionais e, consequentemente, a Sociedade.

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