LÍDERES E LIDERADOS


Liderança  é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e influenciando mentalidades e comportamentos.
Um líder é uma pessoa que dirige ou reúne, em seu torno, um grupo, maior ou menor, de pessoas, em qualquer tipo de contexto.
Um chefe é a pessoa encarregada de uma tarefa ou atividade, numa organização, que comanda um grupo de pessoas, tendo autoridade de mandar e exigir obediência.
Líder não é sinónimo de chefe. Para se ser líder não tem, necessariamente, que se ser chefe, ainda que um chefe possa ser, simultaneamente, um líder.
O líder tem por missão unir os elementos do grupo, para que juntos possam alcançar aquilo que foi definido como sendo os objetivos do grupo. A liderança está relacionada com motivação, o que implica que um líder tenha que saber como motivar os elementos do seu grupo.

A natureza e o exercício da liderança têm sido matéria de pesquisa, ao longo dos tempos. Ainda que exista alguma controvérsia entre os académicos, segundo Chiavenato podem referir-se, as seguintes, como as três principais teorias sobre a liderança:

  • Traços da personalidade - Segundo esta teoria o líder possui características marcantes de personalidade que o qualificam para a função.
  • Estilos de liderança - Esta teoria aponta três estilos de liderança: autocrática, democrática e liberal.
  • Situações de liderança (teoria Contingencial) - Nesta teoria o líder pode assumir diferentes padrões de liderança de acordo com a situação

Para Lacombe, os líderes influenciam as pessoas graças ao seu poder, que pode ser o poder legítimo, obtido com o exercício de um cargo, poder de referência, em função das qualidades e do carisma do líder e poder do saber, exercido graças a conhecimentos que o líder detém.
Napoleão Bonaparte

Lembrando apenas alguns dos grandes Líderes Mundiais, Abraham Lincoln, Alexandre Magno, Brejnev, Carlos Magno, Caio, Júlio César, De Gaulle, Eisenhower, Fidel Castro, Gandhi, Hitler, João XXIII, Joana d'Arc, Kennedy, Luís XIV, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Napoleão Bonaparte, Nelson Mandela, Perón, Robespierre, Stalin, Tito, Willy Brandt ou Xerxes, constatamos que eles existiram em todas as épocas, exercendo a sua liderança em diferentes esferas e contribuindo de forma decisiva, negativa ou positivamente, para que se dessem importantes acontecimentos e alterações na história da humanidade.



Gandhi

Mas, os líderes não são apenas grandes figuras históricas e, para além de políticos e espirituais, podemos encontrá-los nas mais diversas e corriqueiras situações e setores. Há líderes no desporto, na cultura, nas comunidades e clubes, nas organizações e empresas, nas atividades voluntárias ou lúdicas e, até, nos grupos de amigos e na família.





Para lá das definições, conceitos e teorias colocam-se algumas questões fundamentais:

Como nascem os líderes?
Porque existem líderes?
Que qualidades, competências e poderes têm os líderes?
Quem ou o quê lhes dá o poder?

Os líderes têm determinado tipo de características, carisma, motivação, capacidade de observação, conhecimentos específicos em determinadas áreas, capacidade  de organização e de dirigir, envolver e motivar pessoas; agem em função de objetivos específicos, pessoais e/ou coletivos, apoiando-se em crenças e/ou valores; em geral,  têm necessidade de sentir que têm poder e que são admirados e gostam ou, pelo menos, não se importam de ser o centro das atenções, acreditando, ou aprendendo a acreditar, que as decisões que tomam e as "verdades" que afirmam são, efetivamente, as únicas certas e adequadas.

Existiram, existem e sempre existirão bons líderes, bons não, apenas, no sentido de alcançarem os objetivos a que se propõem, mas nos valores, humanitarismo, bons propósitos e honestidade em que os mesmos assentam.
Contudo, as razões principais, da existência de líderes, são, normalmente, negativas. Por um lado, os líderes "alimentam-se" das inseguranças, medos, complexos, frustrações, carências, necessidades ou limitações dos liderados, para satisfazer a sua paixão pelo poder e pelo reconhecimento, por outro, os liderados escondem-se, despersonalizam-se e transferem as suas responsabilidades e livre arbítrio para as mãos dos seus líderes, visando a integração num grupo ou a melhoria da qualidade de vida,
Esta pode tornar-se uma relação extraordinariamente perversa e, infelizmente, a história e a vida são pródigas  nos seus exemplos. 
Hitler e o "seu" Holocausto é um dos exemplos incontornáveis dessa perversidade. Mas, existem milhares de outros, com diferentes dimensões, entre os quais se incluem os falsos Gurus e as suas Seitas, como é o caso de Jim Jones, o "pastor do Templo do Povo", que, em 1978, conduziu 900 pessoas ao suicídio, na Guiana, ou Marshall Applewhite e Bonnie Lu Trousdale Nettles, fundadores da seita americana "Porta do Céu", que, em 1972, levaram 32 pessoas a cometer suicídio, convencidas de que iriam embora da Terra, na cauda do cometa Halley.
Nos bairros pobres  nascem gangs violentos, criminosos e perigosos, liderados por jovens de personalidade forte, que se rodeiam de um grupo de fieis seguidores.
Mas, nas nossas escolas, também, muitos jovens se unem em grupos coesos, dirigidos por líderes com pouco escrúpulos, que se divertem aterrorizando os colegas e/ou os professores. 
Mesmo no nosso pequeno círculo de amigos, podemos, muitas vezes, constatar, que um deles se destaca e controla, ou tenta controlar, o grupo, decidindo acerca de coisas tão prosaicas como o local onde vamos jantar, quem vai no carro de quem, que monumento vamos visitar, ou em que hotel vamos dormir, quando vamos em viagem.
Normalmente, os líderes são simpáticos e reconfortadores, disponibilizam-se para ajudar, se não em ações, pelo menos em palavras, sabem tornar-se imprescindíveis, aparentam ter muitos conhecimentos e muitos contactos, os quais lhes podem facilitar a vida, em diferentes aspetos, e aos seus seguidores, têm facilidade em expor ideias, são paternalistas e têm "voz de comando".
Uma das principais necessidades dos liderados é a de se sentirem integrados, de fazerem parte de algo, sentindo-se, assim, defendidos, seguros e fortes.
Ser liderado retira ao próprio muita da sua capacidade reflexiva e de auto-conhecimento, bem como o seu poder de iniciativa ou a possibilidade de experimentar coisas diferentes ou novas,  que não se enquadrem nas normas ou interesses do grupo.
Cada um de nós é um mundo, com uma história de vida intensa e profunda e uma vida interior riquíssima. 
No entanto, muita dessa riqueza pode perder-se se, ao invés de saber ouvir os outros e refletir séria e sensatamente acerca do que nos foi transmitido, optarmos por seguir cegamente alguém, apenas porque nos faz sentir mais seguros ou integrados, evitando assim que tenhamos que nos confrontar, verdadeiramente, com os nossos medos, inseguranças, frustrações, dúvidas, etc.
Se a nossa forma de estar na vida, as nossas decisões, opiniões e ações dependerem das normas ditadas por um qualquer líder, que seguimos cegamente, seremos apenas massa informe e, consequentemente, não tomaremos decisões, não teremos opiniões e inteligência, nem agiremos de acordo com os nossos, reais, valores, princípios, desejos, sonhos, necessidades interiores, capacidades e objetivos.
Sempre que um líder deixa de ser alguém que nos inspira e nos ajuda a dar o melhor de nós e passa a ser alguém que se alimenta da nossa energia e fraquezas, limitando-nos a capacidade de sentir, pensar ou agir, esse líder passa a ser um "canibal" e nós massa informe, indistinta e estupidificada.




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