ENERGIA - SINAPSES - CÉREBROS

Big Bang
Por natureza,  sou céptica e utilizo, invariavelmente, a dúvida sistemática, em todas as questões importantes da minha vida, quer elas se prendam com valores morais, filosóficos, éticos, legais, sociais, científicos, religiosos, espirituais ou humanos.
No entanto, nunca, ou muito raramente, existiu dentro de mim qualquer dúvida acerca existência de um poder maior e mais inteligente do que o dos humanos, o qual define e conduz de forma intencional o "destino", evolução e transformação do Universo.
Segundo a teoria mais aceite, o Universo "nasceu" do poderoso Big Bang, o qual não passou, descrito de uma forma mais ou menos simplista, de uma enorme explosão ocasionada por uma imensamente grande concentração de energia, num ponto infinitamente pequeno.
A ser assim, podemos dizer que tudo o que existe no Universo, tal como ele próprio, tem a mesma origem e a mesma natureza, ou seja, tem a mesma essência primária. 
As diferenças existentes nesse "tudo" - galáxias, sóis, planetas, montanhas, mares, pessoas, animais, vegetais ou minerais - derivam apenas das infinitas formas como essa energia, ou essência inicial, se recombinou e organizou, transformado-se em matéria. 
Matéria essa que, evidentemente, está imbuída dessa energia primeira. Na verdade, nada mais é do que essa mesma energia.
Assim, cada uma das coisas existentes no imenso Universo não são nada mais do que energia transformada, recombinada, organizada.
Tenho para mim que esta energia primeira é inteligente, autodeterminada e "age" com um propósito definido.
No entanto, todos sabemos que a natureza, por vezes, se desregula. Essa desregulação dá origem a falhas ou erros que no reino animal e, portanto, nos Homens podem ser fisiológicos, neurológicos, psíquicos ou psicológicos. Digamos, então, que, para dar continuidade ao preâmbulo, a Energia se engana ou erra ao recombinar-se.
A partir daqui pretendo chegar a uma realidade mais "comezinha", mas não menos inquietante. As perturbações mentais e os transtornos / disfunções psiconeurológicas.
Hoje, mais do que nunca, temos conhecimento de diversos síndromas, transtornos, deficiências, disfunções ou demências, as quais se encontram devidamente rotuladas e etiquetadas. Ainda que continuemos a ter muito poucas respostas para a sua eliminação ou tratamento.
Das perturbações que afetam e são diagnosticadas logo em criança, talvez que uma das mais perturbadoras seja o Autismo.
Até há bem pouco tempo, quase nada se sabia acerca da origem ou tratamento eficaz para essa disfunção. Mas, a ciência está em contínua evolução e, aparentemente, encontramo-nos, agora, perante uma nova descoberta, a qual afirma que os cérebros dos autistas sofrem um muito maior número de sinapses do que os daquelas que são consideradas crianças normais.
Assim voltamos a falar de energia. E, ainda que muitas das sinapses sejam de origem química, esses processos não deixam de envolver um certo tipo de energia.
Não sei se esta descoberta nos pode trazer, já, alguma esperança de se encontrar uma cura, a curto prazo, desta disfunção. 
Penso, no entanto, que, novamente, é confirmada a importância da energia, para o mais fundamental da nossa existência, ou seja, da nossa mente.
Se os erros, disfunções, deficiências, desequilíbrios, transtornos, demências são um problema de energia deficientemente recombinada, organizada ou transformada, a sua anulação ou "cura", necessariamente, terá que passar pelo conserto dos circuitos em que essa energia se organiza, recombina, transforma e transfere.

Abaixo transcrevo, na integra, a notícia do Diário Digital, relativa a este assunto:



Sinapses 


Cérebros de crianças autistas possuem demasiadas sinapses, segundo estudo

Um novo estudo veio lançar uma nova luz sobre o funcionamento do cérebro no autismo, ao sugerir que há um excesso de sinapses em pelo menos algumas partes dos cérebros de crianças autistas, e que a capacidade do cérebro de reduzir o número dessas sinapses é comprometida. 
A descoberta fornece pistas sobre como o autismo se desenvolve na infância e poderá ajudar a explicar alguns dos sintomas, como a sensibilidade excessiva a ruído ou experiências sociais, bem como os ataques epiléticos. Também poderá ajudar os cientistas na busca de tratamento, se puderem desenvolver terapias seguras para consertar o sistema usado pelo cérebro para eliminar as sinapses excedentes. 
O estudo, publicado quinta-feira na revista Neuron, envolveu tecido dos cérebros de crianças e adolescentes que morreram com idades entre os 2 e os 20 anos. Cerca da metade das crianças tinha autismo, as outras não.
Os investigadores, do Centro Médico da Universidade de Columbia, observaram atentamente para uma área do lobo temporal do cérebro envolvido no comportamento social e na comunicação. Ao analisar o tecido de 20 dos cérebros, contaram as dendrites nos neurónios e encontraram-nos em maior quantidade nas crianças com autismo. As dendrites ramificam-se de um neurónio e recebem sinais de outros neurónios através de conexões chamadas sinapses, de modo que mais dendrites indicam mais sinapses.
No desenvolvimento saudável do cérebro, há uma explosão de sinapses muito cedo e depois tem início um processo de «poda» (diminuição das sinapses). Esse processo é necessário para assegurar que diferentes áreas do cérebro possam desenvolver funções específicas e não fiquem sobrecarregadas de estímulos.
A equipa de Columbia descobriu que nas idades mais jovens, o número de dendrites não difere muito entre os dois grupos de crianças, mas os adolescentes com autismo possuem significativamente mais que aqueles sem autismo. Jovens saudáveis de 19 anos tinham 41% menos sinapses do que crianças pequenas saudáveis, mas os autistas no final da adolescência apresentavam apenas 16% menos do que as crianças pequenas com autismo.
Uma criança com autismo que tinha 3 anos quando morreu tinha muito mais sinapses do que qualquer criança saudável de qualquer idade, explicou David Sulzer, neurobiólogo e principal investigador do estudo.
Os especialistas disseram que o facto de as crianças pequenas de ambos os grupos apresentarem aproximadamente o mesmo número de sinapses sugere um problema de «poda» no autismo, não um problema de produção excessiva.
«Mais não significa melhor quando se trata de sinapses, e a ´poda` é absolutamente essencial», disse Lisa Boulanger, uma bióloga molecular de Princeton, que não esteve envolvida na pesquisa. «Se fosse um crescimento excessivo, a expectativa é de que elas seriam diferentes desde o início, mas como a diferença de sinapses ocorre posteriormente, trata-se provavelmente da ´poda`».
A equipa de Sulzer também encontrou biomarcadores e proteínas nos cérebros com autismo, refletindo mau funcionamento nos sistemas de remoção de células velhas e degradadas, um processo chamado autofagia.
«Eles mostram que esses marcadores de autofagia diminuem» nos cérebros afectados pelo autismo, disse Eric Klann, um professor de ciência neural da Universidade de Nova Iorque. «Sem a autofagia, essa ´poda` não pode ocorrer», disse.
As descobertas são as mais recentes numa área da pesquisa do autismo que está a atrair um interesse crescente. Há anos que os cientistas debatem se o autismo é um problema de cérebros com conectividade insuficiente ou excessiva, ou alguma combinação.
Ralph-Axel Müller, um neurocientista da Universidade Estadual de San Diego, disse que há crescente evidência de conectividade excessiva, inclusivamente a partir dos estudos de imagens do cérebro que conduziu.
«As deficiências que vemos no autismo parecem ocorrer em diferentes partes do cérebro, conversando demais umas com as outras», disse. «É preciso perder parte dessas conexões para um desenvolvimento ajustado do sistema das redes cerebrais, porque se todas as partes do cérebro conversarem com todas as partes do cérebro, só se obtém ruído, não comunicação», explicou.
Mais sinapses também criam oportunidade para ataques epilépticos, porque há sinais eléctricos em excesso a ser transmitidos no cérebro, prosseguiu Klann. Mais de um terço das pessoas com autismo tem epilepsia, acrescentou.

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Sinapses são zonas ativas de contacto entre uma terminação nervosa e outros neurónios, células musculares ou células glandulares. Do ponto de vista anatómico e funcional, uma sinapse é composta por três grandes compartimentos: membrana da célula pré-sináptica fenda sináptica e membrana pós-sináptica. Os principais tipos de contacto sináptico são: axo-somático (entre um axônio e o corpo celular), axo-dendrítico (entre um axónio e um dendrito), axo-axónico (entre dois axônios), neuroefetor (entre a terminação nervosa e a célula efetora, fibra muscular lisa, fibra muscular cardíaca ou célula glandular), neuromuscular (entre a terminação nervosa e a fibra muscular esquelética)



Tipos de sinapse

As sinapses podem ser químicas ou elétricas, em função do tipo de sinal que passará pela célula pré-sináptica e pós-sináptica. As sinapses químicas utilizam mediadores químicos, os neurotransmissores, que medeiam o sinal químico de uma célula pré-sináptica passando pela fenda para uma célula pós-sináptica. As sinapses químicas são as mais utilizadas na transmissão de sinal no sistema nervoso central da espécie humana.

As sinapses elétricas transmitem informação instantaneamente de uma célula para outra, com transferência direta de corrente elétrica entre a célula pré-sináptica e a pós-sináptica. Elas são particularmente úteis quando a velocidade e a precisão na transmissão do impulso são fundamentais, como, por exemplo, no músculo cardíaco e no músculo liso.

in Wikipédia



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