PARADOXOS DO MUNDO ATUAL


"....Relatórios da Unicef que citam estudos da Organização Mundial de Saúde sobre a violência intra-familiar: 275 milhões de crianças no mundo são vítimas directas ou indirectas de violência doméstica. Desses, 150 milhões são meninas e 73 milhões são meninos que já sofreram relações sexuais forçadas ou outras formas de violência sexual. Ainda segundo as mesmas fontes, 96% dos casos de violência física e 64% dos casos de violência sexual são praticados por pais ou familiares próximos, sendo que destes, 71% são pais e 11,5% são padrastos. Ainda a OMS estima que cerca de 100 milhões de raparigas tenham sido vítimas de mutilação genital. Quanto ao trabalho infantil, a OIT estima que dos cerca de 215 milhões de crianças que trabalhavam em 2005, 125 milhões estão envolvidos em trabalhos perigosos e prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento, 5,7 milhões em trabalhos forçados ou em regime de servidão, 1,8 milhões na prostituição e pornografia e 1,2 milhões são vítimas de tráfico.
São números esmagadores, mas que não podem paralisar-nos, mas antes fazer-nos refletir no sentido de fazermos do combate a este flagelo uma prioridade.
Antes de mais, devemos, em meu entender ter consciência desta realidade não apenas a nível da sua verdadeira dimensão, mas também no que tem de revelador sobre a crueldade vivida por algumas crianças dentro da própria família."  Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança,"Violência familiar, adoção, coadoção e o que é natural" publicado no dia 09 de Junho de 2013 no blog

No mundo atual, se, por um lado, somos confrontados com estes números, aterradores e desumanos, de violência psicológica, física e sexual e recurso ao trabalho escravo infantil, particularmente em tarefas de risco ou prejudiciais à saúde, por outro, deparamo-nos, todos os dias, com pais que se demitem de educar os seus filhos, transformando-os em pequenos ditadores e manipuladores, pela permissividade perante os seus comportamentos, a passividade em relação às suas birras e agressões verbais ou, mesmo, físicas e a excessiva condescendência em relação às suas exigências, ou, ainda, aniquilando a capacidade dos filhos para lidar com a frustração e as dificuldades, pela hiperproteção que exercem sobre estes.


É paradoxal que num mesmo Mundo se possam encontrar atitudes tão opostas. A extrema ambivalência destas atitudes parece indiciar uma sociedade desprovida de valores ou, pelo menos, padecendo de uma enorme bipolaridade  ou esquizofrenia.
A grande maioria das crianças, independentemente da forma como é educada, ou da violência ou abusos a que é sujeita, tem uma inata noção de bem e de mal  e um conceito próprio de justiça.
Contudo, porque são crianças, as suas personalidades ainda não estão completamente formadas, somos todos nós, adultos, quem tem a responsabilidade de zelar pela segurança, integridade física e moral, educação, alimentação, saúde, bem estar, físico e psicológico, transmissão de valores e normas de conduta das nossas crianças, quer estas sejam nossos, filhos, familiares ou filhos de amigos, quer sejam os filhos do vizinho do lado, do colega, ou de um desconhecido que passa na rua. Pois que os exemplos e educação que lhes dermos irão, certamente, determinar aquilo em que eles se tornarão
As sociedades estão em constante evolução e os que são hoje crianças serão os homens e as mulheres de um futuro próximo. Se as suas infâncias forem repletas de abusos e maus tratos, ou de ausência de transmissão de valores e limites, que tipo de sociedade poderemos esperar que exista nesse futuro?

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